Music Review: Agalloch – Faustian Echoes (2012, EP)

26 06 2012

Descobrir que os Agalloch têm um novo EP a sair é das melhores novidades que uma pessoa pode receber num dia sufocante como o de hoje. Melhor ainda é descobrir os contornos do mesmo e saber que se pode ouvir por completo esse mesmo trabalho no Bandcamp da banda.

“Faustian Echoes” é uma música de 20 minutos, que na edição em vinil será repartida em duas partes, inspirada na obra de Goethe “Fausto”. É um trabalho simplesmente hipnotizante. O trabalho instrumental por parte da guitarra é das melhores coisas, na minha opinão, que Agalloch tem feito nos últimos anos. São 20 minutos de uma intensa viagem, por cenários que nos transcendem.

Apesar de se poder achar que a dimensão de uma música como esta pode ser um ponto negativo, pois algum momento será menos catchy ou bem conseguido, mas tal não acontece: nem por sombras! Numa versão mais crua que o habitual, os Agalloch presenteiam os seus fãs com mais um trabalho soberbo, desde os riffs mais agressivos até à fantástica conclusão em acústico. Poderá ser uma verdadeira travessia de um Inferno mas este vinil terá de vir parar à minha prateleira.

Descubram por vocês próprios.

J.

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Musica Review: Alcest – BBC Sessions live 2012

23 03 2012

Os Alcest estiveram recentemente no nosso país e conquistaram. Ainda mais assinalável é a conquista do mercado norte-americano, nada “dedicado” ou orientado para este género musical, o Black Metal Atmosférico.

O projecto de Neige não tem de todo uma fórmula simples: cada música é uma viagem astral, um devaneio que muitas vezes nos encaminha para o nosso lado mais primitivo, um reencontro com a natureza. A dúvida relativamente à execução destes autênticos hinos ao vivo será um dos primeiros pensamentos a passar pela mente de quem ouve Alcest pela primeira vez mas desengane-se desde já: ao vivo as músicas ganham ainda mais vida, ainda mais contraste, mais viagem, mais cor, mais som.

São apenas duas as músicas presentes neste registo ao vivo, Ecailles de lune (Part I) e Souvenirs d’un autre monde, mas apenas dois exemplos bastam para conquistar, principalmente, qualquer coração. Se me perguntarem o que é a música de Alcest eu terei que responder, por mais simplista que seja: esta é da música mais bonita, mais bem conseguida, mais rica que se faz actualmente.

Apesar de todas as críticas que são levantadas a Neige, principalmente por estar a distanciar-se do Black Metal e a entrar cada vez mais em terrenos de Post-Metal, Alcest consegue a cada novo álbum reinventar-se de um modo mais sólido, mais progressivo, mais bem conseguido, explorando cada vez mais todas as suas influências e todas as características dos seus elementos, como é de destacar a performance clean de Neige.

Sei que o ano ainda vai curto mas, sem dúvida, que 2012 será marcado pelos trabalhos e autênticos feitiços musicais de Alcest.

 





Review (2) A tragedy in progress – Going down with the ship 2011

25 01 2012

Devo confessar que possuo um “soft spot” pelo género Post-Hardcore, não sei porquê mas sempre que calhou ouvir algo dentro desse espectro ocorreu um click que me agradava. Talvez por ser um género que se alimenta em alguns elementos progressivos ou por ser uma “grey area” em que ninguém sabe definir, ao certo, o que raio se pode ou não fazer.

Foi com isso em mente que ouvi este EP dos A tragedy in progress, uma vez que, nas informações que se encontravam disponiveis, podia encontrar que se enquadravam no Post-Hardcore, sendo que na altura não liguei por completo a restante informação: Emocore!! My bad..

E de facto é o que ouvimos neste pequeno registo de apenas 4 faixas, uma mistura entre instrumental super melódico, por vezes com a sensação de guitarra quase sem qualquer género de distorção, e breakdowns, se bem que neste capítulo se possa dizer que alguns deles até são interessantes. No que toca à voz, ou melhor vozes, estamos tambem perante uma mescla de clean com growl que, sinceramente, muitas das vezes me parecem desfazadas.

Comentário final?

Poucas coisas ficam na memória deste curto EP, talvez a vontade de ouvir, uma vez por outra, um ou outro breakdown novamente mas mais que isso é-me dificil dizer. Se tentarem “endurecer” um pouco o som, sem cair em clichés de “cores”, como muitas vezes se ouve, e até neste caso não é excepção, poderão tornar-se numa audição mais memorável.

Deixo aqui uma amostra do que se pode esperar  de A Tragedy In Progress. Relembro que esta é apenas a minha opinião e acho optimo darem oportunidade para ouvirem novas bandas e novos estilos, do not close your eyes and mind to the world!