Sonho europeu e sonho americano

22 01 2012

O Sonho Americano e o Sonho Europeu representam duas visões muito distintas de um mundo que se encontra em mudança cultural constante. “I have a dream”, a célebre frase de Martin Luther King, é aplicável a qualquer um dos sonhos, muito embora se deva deixar claro que os dois se encontram em clara oposição, por exemplo em questões como a liberdade e segurança (Rifkin, 2004).
A principal máxima do Sonho Americano, “Viver para trabalhar”, demonstra na perfeição os princípios motivacionais deste povo (Rifkin, 2004). Em primeiro lugar, têm a convicção, a nível espiritual, de ser o povo escolhido, sendo essa a principal razão para a sua postura de eternos optimistas (Rifkin, 2004). Suportados pela força e robustez da sua crença o cidadão americano sente-se mais propício a correr riscos e toda a responsabilidade, do seu sucesso ou fracasso, é centrada no indivíduo, dependendo o desenlace unicamente do seu próprio esforço (Rifkin, 2004). Pode assim afirmar-se que os Estados Unidos “vivem um sonho” de Individualismo Extremo (Rifkin, 2004).
O Sonho Europeu nasce de um conjunto de pressupostos muito distantes dos até agora vistos. Na Europa a máxima “Trabalhar para viver” ocupa o lugar de destaque, uma visão antagónica da americana que rejubila no crescimento económico e riqueza pessoal face ao desenvolvimento sustentável e qualidade de vida da visão europeia (Rifkin, 2004). Existe a crença na integração em deterimento da autonomia e independência dos demais, sendo valorizada a pertença a um largo grupo de comunidades na quais se estabelecem relações de interdependência (Rifkin, 2004). Este sentido de pertença leva a uma outra característica: a preservação da identidade cultural (Rifkin, 2004). Assim, a Europa tem uma postura muito mais multiculturalista em contraste com o pensamento muito local e pessoal da América, em que a quebra dos elos culturais é associada ao sucesso (Rifkin, 2004).
A existência de multinacionais leva, muitas vezes, a um encontro entre as duas culturas sendo necessária uma prática da Gestão dos Recursos Humanos que solucione potenciais incompatibilidades, por exemplo nos processos de selecção em que alguns métodos são largamente aceites num determinado país enquanto que num outro não são sequer utilizados (Ryan et al., 1999). Assim, para além de uma diferença cultural e ideológica, podem existir variações na estructura política e nos factores económicos, que podem surgir como causa para as incompatibilidades encontradas (Ryan et al., 1999).
É tarefa de um Psicólogo Organizacional tomar em consideração todas estas características para levar a cabo uma boa prática na sua função. Este deve compreender qual a estratégia mais adequada para determinado país, e cultura, procedendo à prática mais adequada  (Ryan et al., 1999). Mas não só neste aspecto a cultura deve ser alvo de estudo de um Psicólogo Organizacional. A globalização económica é, actualmente, um dado adquirido ocorrendo assim com cada vez maior frequência o fenómeno da emigração. Deste modo, é imperativo que um eficiente Psicólogo compreenda, e analise, as diferenças estruturais inter-países, surgindo aqui como grande referência os estudos de Hofstede, que examinou as diferenças culturais através da análise de dados atitudinais de empregados em varíadissimos países (Ryan et al., 1999).  Das variadas dimensões apresentadas por Hofstede as mais relevantes para a prática dos Recursos Humanos seriam, tal como visto em Ryan et al. (1999), a atitude face a incerteza e a distância ao poder. A caracterização de um determinado país, dentro de cada dimensão, pode dirigir-nos para uma estratégia mais correcta e eficiente, por exemplo se determinado país tem como prática o estabelecimento de instruções específicas e uma monitorização da tarefa muito presencial e constante (Ryan et al., 1999).
Em suma, hoje é comum existir o choque entre o Sonho Americano e o Sonho Europeu, muito devido à expansão da existência de multinacionais sitiadas fora do seu país natal. Tal como os estudos de Ryan el at. demonstram as diferenças culturais são essenciais na adequação das práticas a determinados países e a exportação de metodologias com o objectivo  de estandardização pode levar um ambiente disfuncional, com graves consequências (Ryan et al., 1999). Deste modo, embora seja cada vez mais essencial pensar globalmente é, no entanto, muito importante não esquecer que as organizações serão sempre constituídas por pessoas, e essas pessoas terão sempre, com mais ou menos recessão económica, os seus valores e crenças.

Bibliografia:
•    Ryan et al., (1999), An international look at selection practices: nation and culture as explanations for variability in practice, Personnel Psychology 52
•    Rifkin, J. (2004), The European Dream, John Wiley and Sons LTD

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One response

25 01 2012
Rabibi

A ideia de globalização foi vendida as pessoas como algo benéfico. (VAMOS ALARGAR HORIZONTES MAS IRÁS CONTINUAR A VIVER DENTRO DAS MURALHAS…. PARA TUA SEGURANÇA!)
Mas depois reparamos que a globalização serviu para expandir os mercados…. melhor…para aproveitar as condições precárias de quem habita, oferecendo mão de obra barata em troca de uma tigela de arroz.
A globalização foi criada por quem quer abusar dela, não por quem tenciona partilhar culturas e linguas. Com toda a globalização que nos assiste neste momento, e que nos proporcionou uma larga escala de partilhas, continuamos a tolerar a Coca Cola.

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